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Hortas Urbanas
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A Natureza à distância de um tempero
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Raquel Pereira
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Não negue à partida uma ciência que desconhece. Termos como horta, jardim, ervas ou biologia não fazem apenas parte do campo. Renasceu em Portugal uma moda que veio para ficar. As hortas urbanas trazem muito mais vantagens do que uma ida ao supermercado ou uma conta calada no restaurante. Prepare a terra e mãos à horta!
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Por esta altura, já deve estar a olhar em roda à procura de uma canto no jardim ou mesmo na varanda do seu apartamento para iniciar a sua pequena horta caseira. Acredite que não precisa de ser herdeiro de grandes terrenos para beneficiar de todos os prazeres da terra. Imaginação e alguns vasos na marquise, no terraço, na varanda ou até mesmo na cozinha poderão fazer brotar legumes e verduras, temperos, ervas terapêuticas e aromáticas made in home.
Além de um excelente elemento decorativo com um aroma surpreendente, a horta urbana é também reconhecida pelos seus efeitos terapêuticos e de relaxamento. Em vez de se contorcer no ginásio, debruce-se sobre a terra e faça nascer algo novo, fresco e saudável. Poderá também ser uma excelente forma de educar os mais pequenos e ensinar-lhes todos os benefícios dos alimentos livres de adubos químicos tóxicos.
Outra das vantagens de cultivar esta ideia na sua cabeça e em sua casa encontra-se na carteira. Em tempo de crise, troque algumas idas ao supermercado por uma horta caseira e verá como aliviar os gastos domésticos. Não acredita? O blogue ambiental Treehugger fez as contas e concluiu que uma horta em casa rende em média mais de 500 euros por ano… Dá que pensar, não é?
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As primeiras colheitas
Para iniciar-se no fabuloso mundo hortícola não precisa de muito mais do que vasos, terra, um sacho, sementes, água e sol. Como em tudo na vida, a primeira etapa faz-se de preparação. Comece por livrar a terra de pedras, entulho ou cascalho e divida-a em canteiros que, no caso de uma espaço mais amplo, não deverá ultrapassar um metro de largura.
O segundo passo faz-se, adubando a terra. Fundamentalmente, trata-se da etapa em que se devolvem nutrientes à terra, possibilitando o desenvolvimento saudável das colheitas. Existem vários métodos, sendo que podemos destacar a adubação verde, utilizada há mais de mil anos por diversos povos, a preparação de composto, criado a partir de qualquer material de origem animal ou vegetal, como restos de alimentos, palha, folhas, etc. No entanto, o mais comum é a utilização de estrume, que se destaca por ser um dos métodos mais económicos de fertilização da terra.
Prosseguimos agora para a semeadura, a etapa onde poderá depositar toda a sua fé. Em plantações maiores, utilizam-se os sulcos e covas, nas mais pequenas, opta-se pelas sementeiras para as quais deverá apenas necessitar de uma caixa de sapatos. O crescimento saudável do cultivo deriva da rega atenta e constante, exposição solar, especialmente no caso das hortaliças e a rotação da cultura que evita o desgaste prematuro do solo.
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Voltar à escola
Se esta curta explicação lhe pareceu demasiado teórica, sugerimos que procure a vertente prática da lição em várias instituições e grupos que desenvolvem sazonalmente cursos e workshops de hortas caseiras para interessados na matéria.
Na Quizcamp, localizada em Montemor-o-Novo, além da exploração e comercialização de produtos biológicos, promove também o MiniGarden. Este sistema inovador permite-lhe criar um jardim modular na parede da sua cozinha ou nos canteiros da sua marquise. Colher morangos da varanda para acompanhar o pequeno-almoço ou temperar o arroz com salsa fresca criada nos seus vasos é agora uma opção saudável e inovadora.
Poderá também consultar o site da Fundação Biológica e conhecer todas as iniciativas que esta instituição desenvolve em torno da Agricultura Biológica. Fique a par de todas as acções, documentação e legislação que envolve esta actividade rejuvenescedora.
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Em Baguim do Monte, poderá também cruzar-se com a Horta da Formiga e conhecer todas as modalidades que esta organização oferece na área da compostagem caseira. Trocado por miúdos, falamos do processo biológico que permite transformar matéria orgânica como folhas, vagens e restos alimentares em material semelhante ao solo fértil.
Aqui, poderá também conhecer de perto o projecto Horta à Porta que consiste na disponibilização de terrenos com cerca de 25m2 para todos os que procurem um espaço para darem largas à sua perícia agrícola. Terá também acesso a formação para amadores, água e local para as suas ferramentas de trabalho. Tudo o que a terra produzir, é seu. Estão em actividade mais de 10 hortas, todas na zona do Porto. Consulte o site para descobrir a ideal para as suas necessidades.
Organizações como a Mó de Vida, a Sociosistemas ou a Biorege também são excelentes fontes para conhecer mais de perto esta realidade e, quem sabe, iniciar-se no estimulante mundo da agricultura caseira.
O exemplo americano
Muitos não saberão, mas a tradição de se cultivar uma horta em ambiente urbano, já conta com algumas décadas no seu currículo. O exemplo nasceu das mãos e espírito empreendedor de Eleonor Roosevelt.
Quando, em 1943, os EUA combatiam na Segunda Grande Guerra, investiam-se esforços para que não faltasse comida no prato. Desse modo, a primeira dama americana estimulou os lares americanos a plantarem hortas caseiras, o que se reflectiu na supressão de 40% das necessidades da nação, no final da guerra.
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Os jardins da vitória, como ficaram conhecidos, voltaram a entrar lá em casa, graças à mais recente primeira dama americana. Michelle Obama decidiu criar nas traseiras da Casa Branca uma horta e um pomar, com cerca de 50 variedades de legumes e frutas. A saudável iniciativa reflectiu-se em poucos meses numa subida de 36 para 43 milhões de hortas caseiras nos EUA. Por cá, os números poderão não ser tão ambiciosos, mas serão por certo tão saudáveis e frescos como os da família Obama.
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2009-10-14
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